
Pacientes que procuraram o hospital Doutor Arthur Gerhardt, em Campinho, Sede de Domingos Martins, ficaram revoltados com a demora no atendimento durante todo o dia de ontem (26). Segundo moradores, apenas uma médica fazia o atendimento. Alguns pacientes ficaram mais de oito horas sem atendimento.
“Eu cheguei pela manhã com minha mãe para ser consultada e até 16 horas ela ainda aguardava atendimento. Um senhor de 96 anos que estava na recepção desde 8h também não havia sido atendido. Falei com a doutora Guadalupe Guerrero e ela não o atendeu naquele momento. Isso é falta de ética profissional, o homem estava com dores há mais de oito horas”, disse Sandra Deolindo. O aposentado foi atendido por volta de 16h30.
O ourives Luiz Carlos Rocha, 40 anos, também reclamou da demora no hospital. “Eu fui ao hospital no domingo e não consegui atendimento. Voltei lá na segunda-feira de manhã e fiquei até meio dia sem ser consultado. Sai para almoçar, voltei ao hospital e fiquei até às 18h sem atendimento”, relatou.
Luiz também se revoltou com o desaso vivido pelo aposentado que estava passando mal e ficou na recepção mais de oito horas sem atendimento. “Reclamamos com os funcionários e com a médica e ninguém atendia o senhor de idade. Também não nos explicaram que faltou um médico. Tinha criança passando mal e até pessoas desmaiando na recepção. Esse hospital já foi melhor, mas agora está pior que os da Grande Vitória”, disse.
Revoltado com a situação, Luiz Carlos afirmou que vai reunir um grupo de pessoas e fazer uma denúncia ao Ministério Público sobre a falta de atendimento hospitalar. “Isso não pode ficar assim. É um absurdo com a população. Teve um momento que eu abri a porta da recepção e vi a médica sentada e conversando. Eu tentei falar sobre o senhor que estava passando mal e ela não me deu atenção”, contou Luiz.
O superintendente da Fundação Hospitalar e de Assistência Social de Domingos Martins (Fhasdomar), que administra o hospital, José Romualdo de Oliveira Miranda, disse que havia apenas uma médica atendendo porque um médico que trabalha de sobreaviso no setor de obstetrícia faltou ao trabalho. “Vamos chamá-lo para conversar, pois isso já aconteceu outras vezes e teremos que tomar uma atitude séria”, garantiu.
Romualdo disse ainda que a partir do próximo dia 2 haverá mais médicos de sobreaviso no setor de obstetrícia. “Estamos montando um grupo de profissionais e faremos uma escala para que o médico que está de plantão não precise atender demandas da obstetrícia”, informou. Ele explicou ainda que devido ao feriado em Domingos Martins nessa segunda-feira, os prontos atendimentos do município não funcionaram e a demanda no hospital aumentou.
A médica Guadalupe Guerrero, que estava no plantão nessa segunda-feira, disse que devido à falta do médico que atende de sobreaviso na obstetrícia, ela precisou atender o pronto atendimento e a maternidade. Ela negou que tenha deixado de atende pacientes e afirmou que nem teve tempo de almoçar e jantar devido a sobrecarga de trabalho.
“Eu me desdobrei para dar conta de atender todos os pacientes. Em momento algum neguei atendimento. O senhor que estava passando mal também não chegou 8h da manhã. Como ele estava sozinho, eu liguei para uma filha dele e expliquei a situação dele, que era de internação. Eu fico muito magoada com essas acusações, pois eu fiz de tudo para atender todos os pacientes o mais rápido possível”, disse a médica.
Ela acrescentou ainda que pacientes de Marechal Floriano, que poderiam ter sido atendidos no município, foram encaminhados ao hospital de Domingos Martins. “Esse foi outro fator que causou a grande procura por atendimentos no hospital”, argumentou.
Fonte: Montanhas Capixabas